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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

- preguiça de velho

Só me resta a vida assim, de lado, de praxe, estando como está.
Não tenho muito para mudar, a não ser umas peças de roupa, ou uns móveis de lugar.
Quem sabe amanhã eu acorde sem preguiça e saia à rua para caminhar
Ou seja acometido pela divagação sem premissa e fique deitado na sala de estar.
Mas isso só saberei amanhã, quando acordar, ou quando alguém aparecer para me reclamar.
Nesse leito de velhice medicinal, atrofiado e com um cérebro que me começa a falhar
Só me resta mesmo é o descanso sem discurso, cheio de livros burros para eu poder me consolar.
Por quanto tempo mais essa vida toda vai durar para terminar?
Esse fim sem fim que só me faz angustiar, nem ao menos tenho pistas, uma forma de me confortar.
Sinto que qualquer dia desses ainda vejo o mundo acabar
E é perigoso que ele passe e eu insista em ficar, só para ver o que vem depois, e ver o depois por começar.
Esses meus sonhos baratos, tanta coisa que já assisti mudar, hoje mudo eu para não assistir a mudança mudar.
E fico assim: sentado na sala de estar, mudando as coisas de lugar, para que elas não percebam que também estou para empenar.

Um comentário:

  1. Ele renega a existÊncia, pois sabe que não há mais futuro.
    Creio que ele faz isso com consciência, mas impaciente.
    Boa crônica.

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