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domingo, 15 de abril de 2007

- tão perto, mas tão distante

Não vou bater a sua porta esperando que você entenda. Até porque seria um desperdício de tempo, gastar meu tempo assim, como se ele não valesse muito.
Por todos aqueles caminhos que andei jamais vi algum que florescesse desta maneira, com arvores e flores que sustentam uma luz própria e até na noite mais minguante consegue sustentar um caminho vívido.
Desculpe não limpar meus pés em seu capacho. Não penso que meus pés estejam sujos. Muito pelo contrário, até penso que meus pés não podem pisar nesse seu chão tão imundo. Você não entende. Não venho aqui procurando amor. Não trago na mão uma rosa das mais vermelhas e apaixonantes. Também não carrego comigo aquela face alegre e distante da realidade, tragada pela paixão. Tenho por você a visão fúnebre do meu fardo real. A minha vida de vinte e quatro horas que passa por palavras que esperam as respostas que não vêem.
Não penso que lerás isso, tampouco me importa. Até porque, cada dia, eu penso mais, entendo menos. Sei que soube de coisas que eu não saberia explicar.
Apaixonar dói. Lutar sangra.
Diga-me, há algo nesse mundo que não sustente a dor?
Levo essa vida só, mentirosa. Uma vida só é mais mentirosa que uma vida a sós.
Nos velhos tempos, com retratos figurados, cheios de rostos lindos, eu era aquele que vestia um terno cheio de romances. Um terno de flores de diversas mulheres que eu não tive, mas fingi ter.
A impaciência pela busca de alguém que me completasse e me dragasse para dentro com aqueles lábios únicos e verticulados.
Procurei palavras sólidas nos pensamentos de quem pensei saber ver. Segurei nas mãos de muitas, mas não soube o que era ir além. Sempre carreguei o beijo diário na minha mente, já que não sabia como agir para ter na realidade.
Não sou um sapo. Não me tornarei príncipe.
Sou aquele, no canto, com as mãos no bolso. Observando as situações.
Olhando de lado para aqueles que vêem e vão numa fila compassada de acasos. Tento sempre entender demais. Mesmo que não possa, desgasto-me com isso. Já passeei por jardins que supuseram ser secretos, sentei e esperei que viesse aquela dama num vestido branco, toda angelical. Uma espera tola, digo. Com certeza é. Mas às vezes é necessário saber que isso não irá acontecer de verdade. Sentir que não existe.
Ainda corro por seus olhos...
Talvez você não entenda o que eu quero dizer. Por mais que eu tente dizer, e viva nessa espera. Pode ser que não se manifeste. Que prefira voltar suas atenções aos lados, fingir que não se importa; enquanto eu fecho os olhos e finjo estar com aquela dama de branco, que corre pelos campos e deita sobre a grama do jardim secreto. E no fim, quando removo o véu, descubro que é aquela que sempre se fez distante.

4 comentários:

  1. u.u

    Foda. O texto é foda e ISSO (anafórico!!) é foda.

    Preciso desenvolver uma remédio para isso. Por enquanto, O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: NÃO EXISTEM NIVEIS SEGUROS PARA O CONSUMO DESSA SUBSTÂNCIA.


    Foi mal não ter comentado nos outros textos, depois te explico o porque.
    :B

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  2. aquele que não converso mais, mas continuo admirando os textos..

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  3. "Apaixonar dói. Lutar sangra."

    Luís assim você mata-me!

    Eu estou a lutar contra, uns dias perco, outros ganho ...

    beijos

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