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segunda-feira, 18 de junho de 2007

- a vida lá fora

Lá fora se tornou comum demais...
Pessoas passam o tempo todo,
multiplicam-se no meio da multidão.
Pernas descompassadas driblam umas às outras,
em meio ao concreto batido com bitucas de cigarro e chiclete mascado.
Sabe, lá fora é monótono demais.
Olhar da janela já não basta.
Luzes acesas, trânsito caótico,
e árvores de folhas tingidas de negro carbônico,
regadas com a chuva ácida pela manhã!
- Hum, que bom! Inalando minha dose de bronquite asmática perto dos musgos que se prendem na parede do meu prédio!...
Sabe, olhar lá fora amedronta demais.
Ver pessoas correndo, ávidas, em ponto de bala,
para alcançar o último ônibus que se aproxima da parada.
Alguns driblam becos, desconfiados,
achando que as paredes destes virarão braços.
As luzes dos postes, olhos famintos em busca de vítimas.
Se você corre: é ladrão. Se anda: é aladroado.
Sabe, lá fora é chato demais...
Por todos os dias, você vê amanhecer.
Vê o lixeiro brigar com o mendigo nômade ou com o andarilho faminto em busca de uma lata de lixo premiada.
Vê aquela senhora comprando o leite,
repartindo com o gatinho estimado que ela cuida.
Vê um pai arrumando a roda do carro,
com o celular na orelha esquerda e na direita escora o cigarro.
Vê crianças indo à escola com suas mães, algumas só, chutam latas na rua.
Nossas vidas são comuns demais, poucos vêem o tanto que passa.
Descrever menos ainda.
Mas, sabe... lá fora a vida acontece demais.