- o que você procura?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

- absorto

Sente-se.
Puxe uma cadeira, não demorará a terminar.
Sinto que estou longe do fim, ao mesmo tempo, longe do começo.
Não há nada que eu olhe que não lembre algo. Simbolismo.
Este dicionário vazio repleto de sinônimos mortos. Não há significado algum.
Creio estarmos sós. Na minha mente há algo que reflete sempre neste mesmo ponto que sou eu para além de você.
Sou um filme imaginário que criei para mim mesmo. Meu corpo, minha razão. É tudo tão insólito. Não cabe aqui a verdade que não existe. Me vale a certeza em confiança única.
O que é de mim se não eu mesmo?
Penso. E isto me vale como certo.
Vejo os outros como aquilo que penso deles. Você faz o mesmo.
Estou de acordo comigo quando digo que você é um universo inatingível que, tudo que somos e estamos agora, antes, depois a vir, é um universo diferente. Talvez eu tenha penetrado isso, mesmo não sabendo como. Ou talvez você nem sequer exista, mesmo existindo aqui no que eu planejei.
Sou um deus de mim mesmo?
Estou para além de tudo que disse, sem saber aonde vou cair. Sou alienado num principio infundamentalizado que é pensar.
Você me disse algo, eu penso. Reflito sobre a palavra que saiu de tua boca. Mas não chegarei a mesma conclusão que você, até porque, de certo, eu pensarei e associarei de maneira diferente aquilo que nós dois queríamos significar igualmente.
Há certa necessidade de se valer do fim. De se ter alguém como incontestável. Agnóstico.
A existência se dá nas lacunas do nada. Aquilo que se suga é subversivo. Pode ser que seja repetitivo, lacônico, vago, mas está exatamente no fato de não se existir. Imaginamos existência. Pensar é a exteriorização disso. Inventamos uma utopia de palavras, números e regras que são tão absortas. Estamos presos na problemática da razão. A concretização de utopias distorcidas. Tentamos compreender como nos cabe aquilo que um dia foi inventado para exemplificar um problema que um outro inventou porque não entendeu o que um outro quis dizer. Isso é fácil de entender da seguinte maneira: quando você sair daqui, terá uma série de pensamentos que concluiu por ter passado os olhos por cima dessas palavras. Pode ser que pense que sou louco, estou errado, claro, não tiro a sua razão, afinal ela é sua. Pode ser que pense também que isso não faz sentido. E o pior, pode ser você pense ter entendido. E quando tentar me explicar, ou explicar a um outro alguém, mesmo, talvez, pensando aproximadamente igual, por termos associado as experiências de nossos pensamentos e idéias quase que da mesma forma, ainda assim vamos divergir em algum ponto que seja.
É assim sempre, com tudo que existe. Inclusive essas palavras que para mim significam algo e que para você significa o mesmo algo de maneira diferente.