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terça-feira, 21 de agosto de 2007

- sono

Não consigo dormir. Por mais que eu deite e feche os olhos, hoje eu não consigo dormir.
Rezei para todos os santos, anjos, arcanjos e querubins mas eles nunca responderam. Nem sequer para reclamar tantas rezas aflitas. Olhei para o teto e as trevas eram tantas que pedi para que enxergasse um demônio que fosse, para tomar um susto, daqueles que você se mija inteiro e chama pai e mãe para acudirem a qualquer custo. Não apareceu nenhum.
Levantei-me e vaguei pela casa. No quintal, lá fora, os gatos cantavam para as suas fêmeas alvoroçadas, meu vizinho se levantava para trabalhar, e eu? Eu andava pela casa, simplesmente. Percorri todos os cômodos sem acender luz alguma, apenas com o lume da madrugada.
Sentei no sofá. Na minha frente a televisão desligada. Tanto faz. O filme dos meus olhos é bem mais interessante que a afasia triste dos programas de auditório que temos pela madruga, ou mesmo aquelas vendas de sex shop, encontros de casais e um etecétera bem grande nessa alienação.
Depois de divagar comigo mesmo, senti fome.
Fui para cozinha me alimentar dos pensamentos sentado à cadeira. Café. Chocolate. Leite. Pão. Toalha xadrez. E eu aqui, neste emaranhado de escolhas, sem fome alguma de alimento.
Abri a porta e olhei a neblina que voava pela rua afora. Tateei pelo corredor, até chegar ao portão e depois poder me sentar a calçada, com as mãos no bolso, olhando o asfalto frio e úmido do orvalho das arvores e das nuvens cinzas que não deixariam o sol nascer naquela manhã.
Não entendo como os mendigos conseguem dormir neste frio que congela a espinha e enruga os dedos em apenas tão pouco tempo exposto. Mas também não entendo tanta coisa...
Não entendo nem de estar acordado agora. Penso em voltar à cama, mas está tão tarde para dormir... E é tão cedo para estar tarde.
Não há ninguém para conversar. Nem ao menos para fingir atenção no que faço.
Amanhã quando acordarem, vão me perguntar se dormi bem.
Vou dizer que sim, que dormi muito bem. Olharão aos meus olhos e dirão que pareço cansado. Vou sorrir e dizer que não. Para eles tanto faz se você está ou não. Perguntam por educação.
Acordar sem dormir, apenas por obrigação.

2 comentários:

  1. a insônia voltou para te atormentar
    ou ela nunca foi embora?


    se cuida.

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  2. depois passo meu celular pra você me ligar nessas horas estranhas e dizer um 'não estou entendendo muita coisa, laura' e desligar. mesmo tendo me acordado e me deixando um pouco irritada, um sorriso vai se abrir em meu rosto.
    mas caso você queira falar mais, espere eu me recompor e falaremos.
    e tambem caso [com certeza] você não fizer isso lembre-se de mim e note[você é capaz!]que eu estou lá, deitada e dormindo; e sinta invejinha de mim, e então me acompanhe, mesmo que distante.

    quero escrever assim, tão lindo, quando eu crescer.
    adoro você, menino.
    [e escrevi projeto de biblia aqui. i'm sorry*]
    *isso eu também sei, yes.

    [tô confundindo comentário de blog com conversa no msn, ou scrap no orkut... é o sono. boa noite]

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