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terça-feira, 4 de setembro de 2007

- inspirações do músculo

Ontem experimentei a contradição.
Um coração na mão, dilatado. Expurgo.
O cheiro forte de formol que me induzia a dizer que somos todos tão obsoletos, todos armadilhas de nós mesmos. Calculáveis. Uma conjunção de probas que podem ser metrificadas por cada cava, artéria, veia ou capilar, enfim.
Toquei no íntimo apaixonado de outra pessoa ontem.
Engraçado.
Parecia ser só um músculo que palpita numa troca de sangues à oxigenação.
Explique-me um pouco mais. Conte-me aonde vão essas bifurcações, para onde vai este vermelho símbolo?
Calce uma luva cirúrgica e sente-se ao meu lado, vamos cortar, dilacerar estas carnes, essas gorduras todas...
Vamos mapear o sistema circulatório de amores dos outros.
Já me disseram tantas vezes que existe uma agonia que entorpece o peito.
Deve ser taquicardia, dor muscular, sopro, arritmia. Algo do tipo.
Um infarto do miocárdio. Sistemático. Tanto faz. Um infarto.
As confissões e poesias dedicadas de coração... que bobagem.
Sístole. Diástole. Neurônios de pulsação. O que mais?
Mais nada, meus amigos.
Mais nada.