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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

- n'alma

Tenho pensado sobre envelhecer.
Em como se tornar amigo íntimo da morte.
Nas memórias que o tardar nos faz perder.
E, sobretudo, como isso não tem relação com a sorte.

Quando levam consigo meu ânimo
Quando cedem com os alicerces do meu abrigo.
Tento não ensandecer no pânico.
Nem chamar ao canto meu melhor amigo.

E se há então um constrangimento,
Uma angustia forte, uma heresia,
Tento não voar com o vento,
Não hemorragiar o corte da ferida que eu não sentia.

E quando busco no alento,
Uma razão para o ressentimento e a agonia,
Não encontro nada, sequer um momento,
Para que valha viver o dia.

Não quero que adulem o peito enfado,
Ou encontrar a chave que tranquei comigo.
Desejo apenas não morrer bastardo,
Ser enterrando morto, estando vivo.

escrito em: Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007, 15h53.