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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

- 4:04

Acordo agora no meio desta madrugada muda;
De olhos cansados dos delírios de um pesadelo.
Os lábios frios, e a respiração úmida.
Um medo imóvel...
E os móveis dilatados que parecem se movimentar.
A janela está vestida com seu véu noturno.
De manhã uma simples cortina.
E agora este breu enegrecido que parece querer me matar.
Atrás da minha cama há uma porta fechada.
E minha visão incandescente do teto, agora apagada,
Já não me deixa enxergar.
Se fecho os olhos ainda vejo meu medo
Esperando que eu durma para continuar a me contar...
E o que quer que eu pense em fazer guarda um segredo
E temo que me levem, ou que batam a minha porta:
- Por favor, convide-me a entrar.
Não quero saber ao que vieram.
Na verdade, eu gostaria, mas agora...
Se minha voz houvesse eu pediria para que fossem embora.
Mas o silêncio não deixa,
E, quando junto com o pensamento,
Torna-se uma armadilha às coisas que se revelam.
Ouço quieto a conversa das horas
E a dança surda dos ventos,
Que, ao soar à fresta da janela, parece cantar.
Uma música triste, inanimada,
Que me congelam os ossos...
Mas confesso, é ela quem me faz divagar.
Talvez não haja canção alguma,
E é o meu delírio que canta aos meus ouvidos,
Dando razão a este medo sem face que não sei onde está.
Para as noites não há cura,
Não há exatidão quanto tempo dura
As horas mudas que fazem o silêncio falar.
O silêncio... uma manta de pensamentos
Travestida de loucura e razão pura,
Num eterno conflito a nos fazer imaginar.