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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

- a morte e a esperança

- Diga-me o que tu queres
Que assim abrirei a porta.
- Venho encomendar tu’alma,
Livrar-te deste mundo que contigo já não se importa.

- Vem armada ou com escolta!?
- Venho munida do poder divino,
Um veredicto que não tem volta!

- Oh Deus! Me proteja deste fim de bosta!
- Não adianta choramingar, humano idiota.
Foi o próprio Deus quem ordenou proposta.

- Pois, então, deixe-me com ele falar!
- Impossível! Aos humanos ele não se mostra!
Mas com ele poderás prosear...
Se tua vida não houver sido torta!

- Oh merda! Irei me danar!
Pois engano até quem me gosta...
- Vamos! Abra ou abrirei a força!
- Não! Prefiro morrer a abrir a porta!

- Mas homem!... A que achas que vim, oras?
- Então retiro o que disse! Sai de retro! Vai-te embora!
- Preciso terminar o serviço, homem!...
Vamos cordeiro! Sem demora!

- Não abro, não saio! Não adianta a relutância!
Daqui não me tira para realizar vingança.
Pois sei que quem por último morre é a esperança!

- Mas que chilique de criança! Isto não é vingança!
Mas, pois bem... Vou-me embora na andança!
São muitas as pessoas pré-morte que amarguram na discrepância.

- É um bem que tu me fazes Morte ingrata.
Este revertério no estomago, me causará uma úlcera fantástica!
- Até mais ver, humano tolo! Escafedo-me no tempo!
E te abandono, com suas dúvidas e esta vida dogmática!

- Hum! Te acompanho da janela, Morte faceira!
Escafeda mesmo, não vá fazer besteira de sumir e voltar depois
Pensando que cairei nesta bobeira.

- “A Esperança é a última que morre” você me diz humano tolo.
Vou! E reze para que eu demore a voltar!
Aproveite sua esperança, ou qualquer coisa que quiseste me provar!

- Isso! Vai-te e não volte mais!
Desta vida que me resta quero um pouco de paz!
Aproveitar a virilidade destes meus tempos de rapaz...

Morte faceira... Por hora não a vejo mais...
Tomara que encontre outro que na vida não se satisfaz!
E lhe passe o cajado grosso sem direito de palavras finais!

Agora eu vou é comemorar!
Café preto, amargo! Uma caneca para acordar!
- Venha, sente-se comigo, amigo! Aproveite a caneca que estou a completar!...
- Arre, Morte faceira!... Como pôde na minha casa entrar?

- Pois bem, não resisti... Estive a pensar
Sobre a frase que me disse... Sabe, aquela:
“Esperança: A última a definhar.”!

- Sim! A esperança é a última que morre!
- Exato! Mas esqueceu, humano tolo, um único porém...
Ela é a última que morre... Mas morre também!
E venho para te lembrar, com meu cajado grosso que agora lhe dirá Amém!

escrito em: Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006.