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domingo, 16 de março de 2008

- inanidade

Eu sou o visionário do mundo concreto
...O rascunho que poderia ter dado certo.
Eu sou a estrela que você não viu brilhar
...O pingo que você não sentiu molhar.
Eu sou uma palavra invalidada
...A sua roupa inutilizada.
Eu sou um plano incorreto
...Um mito levado ao incerto.
Eu sou o vinho deixado no copo
...O momento congelado em foto.
Eu sou a folha levada pelo outono
...Desprovido no abandono.
Eu sou seu sentimento pequeno
...Seu inestimável veneno.
Eu sou o insignificante
...Que paira no momento errante.
Eu sou o nó que não conseguiram desatar
...A carta que não souberam jogar.
Eu sou o palhaço que você não riu
...O momento que te desiludiu.
Eu sou um fenômeno natural
...O instante crucial.
Eu sou a lápide do seu enterro
...Um simples erro.
Eu sou a bateria descarregada
...Uma casa abandonada.
Eu sou um rascunho na parede
...Mais uma erva ao gramado verde.
Eu sou uma pedra no caminho
...Uma flora com espinhos.
Eu sou o trauma que você curou
...A chaga que cicatrizou.
Eu sou a poeira varrida ao canto
...Um papel deixado em branco.
Eu sou um cachorro sem casa
...Um pássaro sem asa...
Eu sou uma canção incompreendida
...Uma chance perdida...
Eu sou aquele que você esqueceu
...Um ignaro que morreu...

Talvez eu esteja incerto sobre minha razão,
Mas sei que a tortura reside em meu coração.
Tenho pena de mim mesmo por ser indiscreto,
Por tudo que eu fiz ser incorreto.
Entenda estas palavras agonizantes,
Tudo que eu fiz para ser importante
Não foi percebido em nenhum instante.

escrito em: Mauá, 2005.

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