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domingo, 2 de março de 2008

- o tempo já faz algum tempo

O tempo passa... Passa despercebido,
Posso sentir o relógio contando cada segundo,
Cada momento precioso de nossas vidas
Que são deixados de lado.
Cada hora agonizante
Que passou despercebida.
Tanto eu poderia ter feito,
Mas deixei para um depois próximo.
Um depois que ficava cada vez mais tardio...
Estou sentado olhando o tempo passar.
Tanta coisa vem em mente do que eu posso e poderia ter feito.
O que eu gastei olhando para o tempo
Está perdido... Não volta mais.
Só me contento agora em aproveitar cada momento restante,
Dessa incessante procura pelo prazer da vida
Que se torna mais amarga a cada dia.
Queria eu poder regressar naquelas horas vãs
Que me eram deixadas para aproveitar o tempo.
Hoje eu percebo o quanto poderia ter feito...
Poderia ter apreciado com um outro alguém,
Mas fiquei pensando, me desgastando,
Pelo tempo nulo que perdi.
Por minha própria culpa!
O golpe que o presente me dá
É a penitência do passado ilusório,
Do qual não participei.
Os retratos, cartas e recordações que guardo de ti,
São marcas do tempo
Que me traçaram a derrota e o descontentamento.
O tempo não pára...
As lágrimas não cessam...
O momento de penúria no qual me encontro,
Nessa sala vazia, é lastimável.
Insisto em olhar para o relógio...
E não ver você voltar com o tempo,
Com as lembranças e com a minha felicidade!...
O ponteiro está chegando ao fim de mais um dia mórbido,
Mais um dia de vácuo ilusório.
Amanhã será um novo e proveitoso dia, para quem sabe viver...
Estarei aqui sentado novamente, esperando minha vida recomeçar.
Quando você voltar...
Se acaso não vir pelos meus sentimentos,
Venha e veja o meu túmulo que chegará num futuro próximo,
E enfim... Acabarão minhas horas amargas perante o relógio...
Acabará a espera interminável por ti...
Mas, mesmo assim, o tempo não pára...
Aproveite cada momento que eu não pude aproveitar,
Não lamente a minha dor e nem o meu remorso.
Siga sua vida e encontre o que eu procuro:
O remédio para cura do arrependimento,
Que agora percebo; não é o tempo,
E sim o entendimento do homem, perante os sentimentos.
Enquanto pensei nisto... Fui apodrecendo por dentro,
E deixando as memórias me envolverem com o passado perdido...
Guardarei você no meu último suspiro, clamando pelo seu amor...
Que vingará tardio...
Meu leito de cravos brancos com perfume fúnebre lhe aguardará.
Você trará o seu Último olhar a mim.
Pena não poder te agradecer em vida.
Pena não poder me expressar naquele momento.
Teu choro molhará meus lábios...
Suas lágrimas me servirão como o único beijo que esperei
Receber de ti...
Adeus...
O tempo acabou para mim...
Mas ele reside até a eternidade dos corpos.
Agradeço por poder agonizar meu último suspiro com você...
"Cada tempo faz seu tempo!"

escrito em: Mauá, 2005