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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

- a carne

Sinto-me contaminado sempre que a toco.
Ao penetrá-la, transcendo
ambos os corpos.
Toda vez que a possuo acabo louco.
Minha pele escarnece, falta-me ar,
E por tempos permaneço inerte,
Como um morto.
E, passado o transe,
recobro-me de tudo:
você exausta,
recolhida em posição de feto,
pouco a pouco,
cessa os gemidos,
os gritos surdos e roucos.
E seu corpo descoberto
agora descansa o cio,
e apouco agia como um demônio vil
extirpando o prazer da carne
- de cor e gosto fortes... -
e o que resta agora
é apenas o órgão trêmulo e frio,
desbotado e triste,
à própria sorte.

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