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sexta-feira, 26 de março de 2010

- pagando a paixão inexistente

Bocejei o hálito fresco na janela embaçada
e um borrão complexo fez-se no vidro frio.
A janela se abriu naquela noite calada
congelando meus ossos que se mostravam a fio.

Pensei em levantar e consternar-me na sala,
mas a luz era pouca - pouca vela e pavio.
Reclamei minha sina em pensamentos sem fala
olhando pela janela o mundo cinza e estio.

Engoli o choro naquele lugar sem morada
que insisti em viver por me parecer tão vazio.
Lembrei de minha aparência na noite passada;
tenho me revelado cada vez mais mórbido e senil.

E só agora percebo que não me recordo de nada,
a não ser das noites de puro sexo febril.
Que hoje, tardiamente, sei: não adiantaram ser pagas
pois o prazer apenas está no amor mais sutil.

escrito em: Segunda-feira, 22 de janeiro de 2007, 14h12.

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