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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

- no metrô, nada existe

Ontem, às 19:37, na estação de metrô da Ana Rosa, me sentei para ler o amassado jornal de classificados. Enquanto o folheava, ao meu lado, vestindo uma camisa surrada da Tori Amos se sentou uma garota morena, de olhos escuros e cabelos na altura do pescoço. Ela não usava nenhum tipo de maquiagem e, pelo que percebi, parecia não se importar com sua vaidade e feminilidade há muito tempo: suas unhas grandes careciam de esmalte, seus dedos, de anéis ou aliança. Disfarçadamente, ousei percorrer à altura de seus bustos e logo vi que ela não usava nenhum tipo de colar ou gargantilha. Seus lábios, firmes e carnudos, também não estavam pintados de batom.
“Não deve foder faz algum tempo”, pensei.
Algumas mulheres têm a sádica tendência de esquecer-se de si mesmas quando param de transar. É como se fosse um sintoma, um reflexo da situação de carência que estão vivendo angustiadamente naquele momento. Mas admito: sempre fui apaixonado por mulheres que exalam uma beleza naturalmente selvagem. Beleza que independe de qualquer química, e que, da pureza da pele e dos cabelos, rescendem o encanto sudoríparo e ceratinoso da anatomia humana.
 “Como essa selvagem morena”.
Senti um desejo arfante em falar com ela. Em tentar explicar que sua beleza rara jamais poderia ser alcançada por atrizes, modelos ou drag queens que desfilam inusitadamente da Paulista à Augusta com aquelas maquiagens voluptuosas e engorduradas. Tentei pensar em algo. Algo que fizesse sentido para começar um diálogo. Mas quais são as chances de um homem contra a velocidade de um metrô que anuncia sua chegada minuto a minuto através do estremecimento mudo e ligeiro da estrutura das estações, seguido de uma rajada de vento na face?
"Lá vinha a minhoca de metal...", balbuciei esmorecido, "Nenhum suicida na linha azul quando você precisa de um atraso”.
A porta se abriu e entramos calados.
Nesse horário, apenas as grávidas e os velhos conseguem lugares para se sentar. O jeito foi me arranjar perto da porta com meu jornal debaixo do braço. Frustrada com a falta de lugares, a morena permaneceu a minha frente, segurando-se naquelas barras de pole dancing. Logo o metrô começou a se movimentar. É possível perceber quem são os novatos nesse tipo de transporte quando os solavancos de partida desestabilizam seus labirintos fazendo com que tropecem em si mesmos.
- Bonita camiseta.
- Obrigada – me respondeu surpresa – muita gente não a conhece.
- Uma pena, não acha? – concordei tentando dar continuidade ao assunto, mas ela apenas riu. Eu poderia complementar dizendo “Oh, você não acha que o melhor álbum dela é o Little Earthquakes, de 1992?”, mas eu não queria soar como um merda de pseudo cult blasé e piegas.
“O silêncio também significa, já dizia Buda”. E assim foi. Três minutos de silêncio nos separou de sua próxima ação: descer na estação Vergueiro. E lá estava eu, novamente, preparado para segui-la. Assim que desembarcamos, subindo a escada rolante, coloquei meu celular no mudo e simulei uma ligação. Hesitei um pouco esperando perto da cabine das bilheterias enquanto a morena subia as escadas que davam na altura do Centro Cultural Vergueiro.
- Ok, tchau – disse para mim mesmo na ligação e corri para as escadas.
Enquanto subia buscando não perdê-la de vista pude escutar o barulho da chuva.
- Que merda! – ela suspirou – esqueci minha sombrinha!
Mesmo depois de revirar a bolsa, diversas e diversas vezes, a sombrinha não estava lá.
“Quando os suicidas não ajudam, São Pedro dá uma força”.
- Que azar o nosso – disse alcançando-a ao final da escada – e o pior é que essas chuvas demoram a passar.
- É... infelizmente você tem razão – condisse rasgando o maço de Carlton Blue da bolsa – o jeito é esperar.
Acompanhei puxando meu Camel.
- Permita-me – acendi seu cigarro.
Ela parecia distante e triste. Seu cigarro no canto da boca, sua camiseta amassada, suas calças surradas e seu All Star sujo lhe davam um ar de junkie e solitária.
Lá fora, o azul bucólico dos arrebóis logo se tornaria cinza e a escuridão abraçaria as nuvens enquanto os trovões vociferavam, cada vez mais estridentemente, que aquela chuva não era passageira.
- Infelizmente ficaremos presos aqui por algum tempo... – e, depois de analisar o retiro das nuvens enquanto tragava, completou ironicamente – sem filmes e sem cobertas.
- Se isso vai acontecer de qualquer maneira, então não vou hesitar em fazer um convite! – disse a ela aspergindo as cinzas do cigarro – Que tal irmos ao metrô Santa Cruz? Lá tem um shopping onde podemos esperar tomando um café.
Ela então ergueu a sobrancelha, receosa e desconvencida.
- Olha, será apenas um café na noite inundada de São Paulo – argumentei ardilosamente. Ela impacientemente mexeu os lábios duvidosos olhando para a minha cara, talvez ponderando suas possíveis chances naquela noite náufraga.
“Mesmo estando há muito tempo sem transar, ela não é do tipo que apaga incêndio em sex shops. E, a julgar pelas suas roupas e as poucas palavras proferidas até aqui, ela deve ter um gênio forte do cão”.
- Fechado, mas você paga a conta.
- Isso não será problema algum – ri.
Enquanto descíamos as escadas, nos apresentamos.
Considero essas coisas demasiadamente chatas de se fazer. Sabe, tentar passar de“semi-conhecido” para “interessado”. Até porque tudo depende de como você conta sua história. É como uma preliminar: se não agradar, todo o restante estará comprometido.
- E o que você faz da vida? – ela abriu o inquérito.
- Escritor. Escrevo crônicas para alguns jornais.
Ela ergueu as sobrancelhas com uma cara de não muito esclarecida.
- Bem, basicamente escrevo sobre o cotidiano em quatro jornais diferentes da capital.
- Desculpe, eu não tenho o hábito de ler crônicas de jornais – me respondeu embaraçosamente com a mão nos lábios.
- Não há pelo que se desculpar, as pessoas geralmente vão direto à tragédia quando compram jornais... – era melhor mudar de assunto – mas, e você, o que faz?
- Eu sou uma curadora de artes – disse enquanto entrávamos no vagão do metrô – olha, eu espero que você saiba o que é isso, porque geralmente é difícil explicar às pessoas – riu.
- Eu sei bem o que é, mas não tenho a mínima noção de como se faz.
- Tudo bem, ninguém imagina como é trabalhoso organizar e supervisionar uma exposição.
- Pelo jeito você não teve um dia bom... – concordou com seu olhar distante e triste que esvanecia em sua face enquanto conversávamos. Isso me incomodava bastante, pois parecia que ela não desejava estar ali – se você quiser podemos adiar o café...
- Não, não – replicou cortando-me a fala – na verdade é outra coisa... é bastante pessoal para contar para você, que ainda me é um estranho.
- Tudo bem, me desculpe.
Permanecemos num silêncio constrangedor até o momento em que as portas abriram na estação Ana Rosa.
- Posso te confessar uma coisa? – emendou ajeitando os cabelos para trás das orelhas.
- Sim, claro.
- Olha, eu sei que você estava tentando falar comigo desde o momento em que saímos daqui dessa estação da primeira vez. Também sei que você não ia descer na Vergueiro. E outra coisa: eu leio as suas crônicas de domingo – me tomou os jornais debaixo dos braços e os ergueu à altura da minha face – que inclusive é desse jornal que você está carregando debaixo do braço.
Ela tinha me enganado muito bem. “Mas ainda tenho certeza que ela não trepa há muito tempo”.
- E por que diabos você não quebrou o gelo quando estávamos sentados lá? – disse-lhe rindo.
- Ah, queria ver se você me surpreenderia.
- É, então te devo desculpas pelo lance da camiseta. Aquilo foi bem fraquinho, mas foi o que deu para pensar na hora.
- Olha... – disse-me cinicamente enquanto tirava sua sombrinha da bolsa – a sua sorte foi que eu esqueci a minha sombrinha.
Naquele momento, eu ri. E ri muito. Confesso que estava bastante surpreso com aquilo tudo.
"Pelo jeito sou eu quem esta em teste aqui!"
- E eu pensando que tinha planejado tudo...
- Vem, vamos, é a nossa estação – puxou-me pelo braço.
Enquanto saímos, avistei o relógio da estação: 20:22.
“O shopping fecha às 22h. Isso me dá aproximadamente uma hora e meia de conversa para tentar ganhar mais do que um abraço de boa noite”.
- Conheço uma cafeteria nesse shopping que é muito boa. Chama-se Estação 5. Lá também podemos fumar, que tal?
Ela assentiu com um longo sorriso e fomos até a Estação 5.
As cafeterias de shopping geralmente não são populares, estando na maior parte do tempo vazias, o que possibilita ter um tempo consigo mesmo enquanto se aprecia um espresso.
- Por favor, lugar para fumantes – pedi a atendente.
Nos sentamos e acendemos os cigarros enquanto fazíamos o pedido.
- Por favor, um cappuccino médio – ela pediu.
- Para começar, um espresso.
A nossa frente, as pessoas passavam, todas, tão desimportantes e vazias - assim como ela e eu. Quando a fitei, distraída com a paisagem de carne e osso, parecia perdida em seus pensamentos. Estava incomodada com algo, desde o início. E eu precisava saber o que era ou então não seria possível criar um diálogo linear em que as indiretas permitiriam uma noite a dois no meu quarto ou no quarto dela.
- E então?
- O que? – disse estarrecida, como voltando de um transe.
- Olha, sei que algo te incomoda e mesmo você achando que eu sou um cara estranho, como disse antes, seria interessante me falar ou então creio que não conseguiremos conversar.
Ela assentiu com um sorriso amarelo e um olhar de confusão. E, depois de cadenciar a batida dos dedos na toalha, em meio a diversas contrações burlescas da sua face, ela suspirou e finalmente rompendo o silêncio rendida a trejeitos aflitos de uma ânsia explícita no rubor das têmporas.
"Ai vem o pior: talvez ela tivesse namorado. Talvez estivesse grávida. Talvez já tivesse filhos. Talvez ela se casasse amanhã". A cada segundo a minha ânsia tomava forma diante do esforço mudo e lento do movimento dos lábios gagos dela que de repente pudesse expelir alguma revelação destruidora de possibilidades.
- Eu nem sei por onde começar, mas... – suspirou e levou as mãos às têmporas inflamadas – isso é bastante existencial. Na verdade, está intimamente atrelado a minha vida, sabe. Não são experiências cotidianas. São questões meramente filosóficas, mas que me consomem violentamente. Honestamente, já não consigo mais dormir e muito do que eu digo parece não fazer sentido, como se as palavras apenas fossem símbolos mortos e intransitórios... É como se eu tentasse fazer sentido sempre, mas a falta de experiência igual ou similar, inexistente em qualquer relação, excluísse a possibilidade de fazer real sentido para o outro... creio que não temos como exprimirmos em palavras os sentimentos, até porque tudo que verdadeiramente sentimos é impossível de ser expresso em palavras... Tudo é meramente superficial e vazio de sentido.
Ela então tragou seu Carlton Blue e ingenuamente me pediu desculpas pela confissão.
- Isso é tudo loucura, me desculpe. Me desculpe de verdade.
“Mas era eu quem estava aliviado. Nada de namorados, maridos, filhos ou casamentos”.
- Depois da sua conclusão, certamente não posso dizer que entendo, pois não seria verdade... Mas podemos pensar nisso sob outra perspectiva. Talvez numa perspectiva evolucional. Sabe, qualquer ser que nasça agora, nesse instante, carregará em suas células, no mínimo, bilhões e bilhões de anos da evolução do cosmos. Acho que seja possível as pessoas fazerem real sentido com as palavras, até porque essas palavras estão imbricadas nesse processo evolucional, em que se germina toda a noção de instinto e percepção e que também faz derivar às emoções e aos sentimentos aquilo que porventura vivenciaremos durante a existência.
Depois de murmurar em consentimento, enquanto sustentava seu cigarro no canto dos lábios, ela replicou:
- Eu não dou a mínima para essa merda de concepção do Universo. Isso tudo que você disse é fatalmente sustentado pela suposição da idade do Universo. Mas ninguém sabe quando o Universo nasceu. Aliás, eu não sei nem mesmo se o Universo nasceu. Nem mesmo os cientistas sabem disso! - como que atingindo um êxtase de inconformismo, ela bufou e negaceou com a cabeça - O mais interessante dentro de tudo isso – complementou – é que o ser humano não tem certeza nenhuma sobre a existência de qualquer coisa. Como podemos traçar uma linha efetiva de certeza ou verdade absoluta para alguma questão se não há nem mesmo certeza de que existe uma certeza ou uma verdade?
- Bem, estamos aqui, não estamos? Isso já é uma certeza.
Ela riu.
- Olha... eu realmente não sei... não sei se estamos aqui... – seus olhos percorreram uma longa distância que pareceu iminentemente superar a realidade e a fantasia – Sabe, recentemente eu li num livro do Freud e também percebi enquanto assistia e reassistia aos filmes do Bergman, que o ser humano somente será capaz de compreender a totalidade de si mesmo e, conseqüentemente, exaurir os conflitos da mente e da alma, quando ele finalmente descobrir de onde provem a sua essência. E, se tentarmos compreender essa questão da essência, que o Freud belissimamente formulou, teremos que galgar a história por completo revisitando todo o passado, assim como ele fazia com seus pacientes, só que desta vez teríamos que revisitar o passado de cada célula que você diz carregar bilhões e bilhões de anos de história – ironicamente ela riu – imagine... Você consegue imaginar isso? Quero dizer, você acha que seja possível compreender essa real essência do ser humano?
- Jamais! – repliquei extasiado apagando a guimba no cinzeiro.
- Essa essência seria a prova fundamental de que verdadeiramente existimos... Sem ela, somos meras possibilidades.
Enquanto ordenava o próximo espresso e a troca de nosso cinzeiro cheio, percebi que sua mente inquieta ainda navegava pelos confins da existência. Ela nem sequer havia tocado em seu cappuccino. Por enquanto, lhe fazia muito mais sentido justificar sua existência naquelas deflagrações e por isso continuou.
- Essa questão da essência está incrustada em todo ser humano, mesmo que inconscientemente. Você não acha estranho as pessoas chegarem à conclusão sobre as mesmas coisas sem nem mesmo se conhecerem ou terem vivenciado experiências semelhantes? E, de alguma forma, essas conclusões parecem justificar o avanço cultural e tecnológico que vivemos todos os dias. Até porque, como dito anteriormente, são bilhões de anos, e no mínimo, bilhões de possibilidades. Podemos ver um cisco de todo processo evolucional do Universo, seja esse cisco mental ou físico, numa simples pincelada de uma tela, num quicar de uma bola, num disparo de uma arma, enfim... no simples respirar.
E então ela se silenciou. Me fitou novamente com sua expressão ingênua, mas, agora, eu sabia, ela era uma das mulheres mais geniais que eu conhecera na vida. Eu estava maravilhado. E, lá do meu âmago, senti um desejo de acordar todos os dias ao lado da sua expressão de ingenuidade, em que me confessaria, ao pé do ouvido, sobre sua maneira de contemplar o mundo. Precisava reter de seus lábios toda resignação do saber e por isso me mantive envolto ao seu caos sublime.
- Você acha que esse cisco do processo evolucional que vivenciamos, mas que não conseguimos explicar em palavras, pode ser o que todas as pessoas compreendem como Deus? Digo... quando dizem “Deus está em todo lugar”, “Deus compreende tudo e vê tudo”, talvez essas pessoas estivessem tentando significar que Deus é a conclusão de todas as infinitas possibilidades do Universo. Conclusão essa que pode ser alcançada quando se compreende um cisco, por exemplo.
- Talvez! Isso é lindo, não? – ela riu – Dizem que, historicamente, apenas dois caras compreenderam eximiamente essa verdade: O primeiro foi Sidarta Gautama, o Buda, e depois, Jesus Cristo...
- Esses caras trazem uma garantia filosófica linda, está tudo lá, no que foi deixado escrito por eles e seus discípulos, - disse interrompendo o raciocínio dela – mas são apenas especulações filosóficas que talvez podem ter sido fundamentadas unicamente em suas experiências de vida. Que confiança isso traz se não é científico?
- Mas quem disse que a ciência é mais confiável que a religião? Essas vertentes trazem postulados diferentes. E ponto. A começar pelo fato de nenhuma delas conseguir explicar a essência do Universo. Os cientistas acham que foi o Big Bang, os religiosos têm fé que tenha sido Deus. Fé que, aliás, percebo hoje, é um fenômeno inerente a crença em Deus, pois a fé, se pararmos para analisar, está presente numa resposta de cálculo e também numa hipótese filosófica. Até para ser ateu é necessário fé.
- Desculpem interromper – disse a atendente – mas estamos fechando.
Havíamos conversado tanto que não percebemos o tempo passar.
- Creio que infelizmente já terei de levá-la de volta à estação Vergueiro.
- Uma pena, não? – pronunciou delicadamente.
Depois de pagar pelo café, andamos pelas vitrines negras e opalinas até alcançarmos a estação de metrô. Eu pensava em qual seria sua próxima deixa para o caos reticente de suas palavras, enquanto eu me esforçaria para cavar ainda mais suas conclusões para lhe trazer outras dúvidas e, novamente, ela me esclareceria, mas... não foi o que aconteceu. Na verdade, nada aconteceu. Ela não disse nada enquanto andávamos. Não disse nada enquanto esperávamos o metrô. Não disse nada enquanto olhávamos um ao outro, sentados naquele vagão solitário. Não disse nada quando subimos a escada da estação Vergueiro.
Ali, parados, ela apenas ficou me observando, fitando meus olhos, contemplando a minha expressão de dúvida e vacilação enquanto eu pensava no que poderia dizer para segurá-la algum tempo mais.
Já não havia mais chuva para as desculpas.
Nada me ocorria.
E, percebendo a minha limitação, ela se enrubesceu.
- Preciso ir.
- Eu gostaria de continuar essa conversa – confessei.
- Eu não.
E assim ela me deu as costas e saiu.
Permaneci ali, parado, em frente à escada rolante, pensando se havia falado ou deixado de falar alguma coisa que a incomodou, mas nada me ocorreu. Enquanto descia as escadas para pegar o metrô de volta pra casa, pensei em nossa conversa. Precisava de tempo para digerir aquilo tudo.
Frustrado, me sentei no banco da estação e fechei os olhos.
"O que afinal ela quis dizer com aquilo tudo?".
Por algum tempo apenas permaneci ali... pensando e pensando.
- Se há a imensa possibilidade de tudo não existir, de tudo ser falso, há também uma grande possibilidade de tudo e qualquer coisa ser possível.
- Sim, você está certo.
- Que bom que você concorda que tudo é possível... - ri - Espero que você também concorde que o melhor álbum da Tori Amos é o Little Earthquakes, de 1992.