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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

- o poema do ego

Acordar ensimesmado com a vida
dizer que as coisas não valem de nada
que a realidade é blasé, que é chata
que as horas são muito rápidas
e também muito paradas

não concordar por pirraça
não realizar por preguiça
só dar valor ao que é de graça
criticar desgraça com desgraça
confundir desejo com cobiça

se contentar com a tristeza
não confiar em pessoas felizes
pensar que o seu fardo é o que mais pesa
confundir oportunidades com crises
julgar pedido de favor como fraqueza

achar que se pode viver totalmente sozinho
não crer em nada e em ninguém
acreditar que a renúncia é um caminho
resumir o que você é ao que você tem
banalizar manifestações de afeto e carinho

não revelar o que está escondido
transformar omissões em segredo
se macular pelo que poderia ter acontecido
acusar e levantar o dedo
chamar de medo o desconhecido

pregar que o amor é um mito,
que tudo termina em dor e sofrimento
criar situações de rancor e conflito,
deixar que as mágoas se curem com o tempo
distinguir como feio e bonito

não há necessidade de uma verdade
de procurar certo ou errado,
excesso ou desperdício,
defeitos ou qualidades
fácil ou difícil

pois no momento mais propício
abandonaremos sem nenhuma dificuldade
este escafandro de carne