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terça-feira, 16 de outubro de 2012

- a Mente e o Eterno


Ao refletirmos sobre a natureza intrínseca do ser humano, muito se revela sobre o que verdadeiramente é a manifestação da consciência e da inconsciência no plano material e cósmico. E se nos aprofundarmos sobre o que significa e o que é a realidade concreta e microscópica, tão visível aos olhos carnais e tecnológicos, nos depararemos com manifestações consideradas absurdas e grotescas; manifestações que afetam direta e indiretamente a harmonia e o desenvolvimento de nossas condições sócio-físicas – no espaço e no tempo – em qualquer área de manifestação da vida enquanto matéria, como a Ciência, a Filosofia, a Arte ou a Religião.
Navegar em concepções profundas como esta, sobre o que significa ser – ou existir, para alguns – pode parecer infundado ou até mesmo demasiadamente pretensioso. Até porque, quando mergulhamos no nosso âmago, descobrimos que não nos conhecemos muito. Desconhecemos nossas origens. Não sabemos o real motivo pelo qual nos manifestamos aqui expressando-nos da maneira que nos expressamos. É até curioso, quando, em determinado momento de nossas vidas, todos nós nos deparamos com questões como: “O que é realmente o Universo?”, ‘O que de fato sou?”, “O que é a Vida?”, “O que é a Morte?” ou “De onde veio tudo isso?”. Essas questões são capazes de nos tirar o sono ou nos deixar desesperados, pois, de algum modo, nos trás à sensação de insignificância em relação à representatividade do Universo. E nessas indagações que fazemos a nós mesmos, e aos outros, não conseguimos nos aprofundar na charada de nossa própria origem.
Se partirmos das teorias físicas – clássica ou moderna – teremos a premissa básica de que a existência do Universo e tudo que nele se manifesta foi criado a partir do nada. Isso mesmo, do nada! A partir do nada surgiu o Big Bang gerando tudo o que compreende a realidade na qual estamos inseridos atualmente.
E mesmo que adotemos o princípio de que tudo foi gerado a partir do nada, do vazio – o que ainda me parece bastante vago – teríamos de trabalhar e aceitar a hipótese de que nós temos a idade do Universo. Há diversas razões para duvidar desta afirmação teórica – de que tudo o que existe e que ainda existirá fora criado exatamente no mesmo instante – mas isto não é tão louco quanto parece. Caras como Einstein, Planck e Bergson – apenas para citar alguns – foram a fundo nessas questões e descobriram informações importantes que podem guiar o ser humano para a compreensão do que ele verdadeiramente é. O mais interessante dessas descobertas é que elas permitiram desmistificar um pouco mais a antiga concepção de criação a partir do ‘nada’ e, além disso, trouxe à tona paralelos incríveis sobre a verdade pregada pela religião. Ciência e Religião, lados da mesma moeda.
Para que avancemos em nossa conversa, será necessário que compreendamos o que é o nada, o vazio. E, para isso, recorreremos ao exemplo básico do pensamento.
Tente pensar em nada. Esvazie a mente. Abandone a concepção de tudo... Esforce-se. É possível?
E se eu dissesse a você que no nada, no vazio, reside o oposto; o antônimo, ou seja, tudo.
O que é tido como nada é, na verdade, a fonte infinita criadora, a gênese de toda e qualquer existência. A rua que você caminha, a árvore que você observa, as pessoas que você encontra, enfim, tudo, manifesta-se do nada, do vazio, a todo o momento. É como o sonho em que criamos ruas, paisagens e pessoas e, ao acordarmos, nos deparamos que o cenário criado foi tão somente parte integrante de nossa mente, e não a realidade concreta. Parafraseando o velho Einstein, o vazio pode ser definido como um infinito campo harmônico, no qual toda e qualquer possibilidade pode surgir a qualquer instante – ou também podemos dizer que o vazio é como um oceano absoluto, em que qualquer movimento pode gerar infinitas possibilidades.
... e por que gerar movimento se o campo já é harmônico e infinito?
Faz-se necessário mergulharmos na composição da matéria para compreendermos ainda mais sobre a gênese do Universo.
A física explica que a matéria se comporta de maneira dual, ora como onda – não substancial – ora como partícula – substancial. É importante considerar que quando manifestada como onda, a matéria não exibe localização definida no espaço e tempo, ou seja, não tem começo e nem fim, estando em todos os lugares do Universo ao mesmo tempo. Já quando expressada de forma substancial, ou seja, como partícula, a matéria é precisamente localizada dentro do tempo e do espaço, de maneira limitada.
Mas como algo pode se revelar de maneira definida no espaço-tempo e, ao mesmo tempo, estar em todos os lugares, de maneira indefinida? E, aliás, como essas concepções duais, ora onda, ora partícula, se manifestam através do vazio?
A ciência debateu estas questões de diversas maneiras, formulou e reformulou experimentos tentando trazer à tona a gênese do infinito. E, por mais que possa parecer improvável, chegou-se à conclusão que apenas uma coisa determina se a matéria é onda ou partícula, se somos tudo e nada ao mesmo tempo; e esta coisa é a consciência humana. Isto mesmo: a consciência humana.
A matéria será unicamente definida pela Mente que a percebe. Ou seja, aquilo que parece ser realidade sólida é, na verdade, manifestação concomitante de dois fenômenos: a onda e a partícula.
Se considerarmos que o átomo é 99,99999999999999999999% espaço vazio, como diz os preceitos científicos atuais, por que diabos temos a sensação de ver tudo de maneira sólida?
 A resposta é o campo e seu princípio organizador, capaz de entrelaçar e conectar tudo que existe no Universo. E, para justificar, o princípio organizador do campo, recorrerei a uma experiência chamada Paradoxo EPR (Einstein-Podolsky-Rosen) realizada por Einstein e seus amigos, ao tentar provar que a Física Quântica possuía erros crassos. O paradoxo EPR apóia-se nos postulados da relatividade e em um fenômeno predito pela mecânica quântica conhecido como entrelaçamento quântico que, a grosso modo, consite numa relação de conexão universal mútua. E o que isso quer dizer? Bem, supomos que você tenha duas particulas que interajam, entre si: a particula A e a partícula B. Então, você resolve separá-las para fazer um experimento qualquer – nesse caso, hipotético/imaginário. Você sabe que A e B giram sempre no sentido horário. Ao separá-las, enviando a particula B para outo ambiente do seu laboratório, você decide mudar a direção da rotação da particula A para o sentido anti-horário. Instantaneamente, algo sensacional acontece: mesmo em outro ambiente a particula B muda também o seu sentido, rotacionando para o sentido anti-horário. Indo mais longe, você decide enviar a particula B para outra cidade, mudando então a rotação da particula A para o sentido horário novamente. E, veja só, incrível! instantaneamente, a particula B muda mais uma vez sua rotação, agora também no sentido horário. Você repete este experimento diversas vezes, em localidades diversas e inusitadas; a resposta é sempre a mesma. E se você insistir, enviando a particula B à galaxia de Andrômeda, localizada a cerca de 2.900.000 anos-luz da Terra, o resultado será o mesmo, a partícula A e B continuarão se relacionando entre si. Não importa onde e quando essas partículas estejam localizadas no espaço-tempo, elas sempre estarão conectadas, entrelaçadas. Imagine essa conexão numa dimensão universal... Você e o Universo...
Mas, vamos fazer uma reflexão: Por que esta conexão/entrelaçamento ocorre?
Voltemos ao instante anterior à explosão do Big Bang, em que toda energia estava concentrada em um único ponto, menor que um simples átomo. Se tudo está condensado em um único espaço. Tudo está conectado/entrelaçado. Depois do Big Bang essa conexão/entrelaçamento apenas se estendeu – como sugerido na Teoria das Cordas, na Teoria da Relatividade, no Budismo, no Xintoísmo, no Cristianismo, etc.
O interessante é que sabendo disso, as coincidências e os acasos se tornam menos improváveis; a telepatia, a regressão para compreender vidas passadas e até mesmo a comunicação com o mundo dos ‘mortos’ passam a fazer sentido, se tornando plenamente aceitáveis, não é mesmo? Essa conexão/entrelaçamento não tem fim. Pois o campo não tem fim. O campo é a teia que conecta toda vida; que exprime essa sensação de espaço-tempo; de vida e morte; de inércia e continuidade. No campo está o absoluto e a dualidade...
... e veja você que podemos fazer outra reflexão formidável... a de que nós somos parte integrante do exato momento de concepção do Universo, simplesmente pelo fato de tudo estar conectado/entrelaçado. Somos o princípio e o fim. O alfa e o ômega. Sei que pode parecer engraçado para uns, blasfêmia para outros, mas a Ciência e a Religião sempre revelaram as mesmas coisas, utilizando de jargões e definições diferentes, obviamente. Mas agora ambas parecem estar alinhando os eixos e, felizmente, falando a mesma língua. Não há dúvidas de que, Deus, Infinito, Cosmos, Universo, eu e você somos a mesma coisa, caminhando para o mesmo lugar. O eterno.
Buda uma vez trouxe para a reflexão a seguinte frase “Tudo o que somos é o resultado do que pensamos. A Mente é Tudo”. Esta frase se assemelha muito com a que o físico, ateu-agnostico (como ele mesmo se intitula), Stephen Willian Hawking disse: “O Universo existe por que estamos aqui para observa-lo”.
Seja na gênese das Religiões, na Filosofia, na Ciência ou na Arte, é sempre a Mente que define o que é realidade e, sobretudo, quem cria a realidade. E ambas as frases dizem a mesma coisa, de maneira complementar, como se uma fosse a prova da outra.
Afinal, é possível conceber a ideia de um mundo/universo fora de nossas Mentes?
Refletindo sobre todas as hipóteses aqui lançadas, eu diria que não há nada que não seja Mente.
Como disse Max Planck, um dos responsáveis por alicerçar a Física Quântica “Toda matéria se origina e existe apenas por virtude de uma força [...] Nós devemos assumir que por trás desta força há a existência de uma Mente consciente e inteligente. Essa Mente é a matriz de toda matéria”.
Sendo a Mente a matriz de tudo. Tudo, de fato, depende de nosso olhar para o Universo, de nossa conexão/entrelaçamento com o que julgamos ser real e verdadeiro. Não espanta religiões e filosofias acreditarem na vibração do amor, na continuidade do espírito (sinônimo de consciência), na bondade e na plenitude das vidas, pois tudo isso é conscientizar-se da existência, da infinitude...
... e nada mais nobre do que manifestar a sua eternidade.

6 comentários:

  1. Espiritualidade,física e psicologia. Belo post! Para essas questões elementares - na fronteira entre filosofia e ciência - uma série bem legal é Grandes Mistérios do Universo, do Discovery Channel

    Segue um link para baixar caso interesse: http://alefnossomundo.blogspot.com.br/2011/07/grandes-misterios-do-universo-com.html

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    1. - olá, Valter.
      muito obrigado pela recomendação.
      Já estou baixando as duas temporadas para saber como é.

      Sempre gostei de discutir sobre essas vertentes; e sempre que posso, me dedico em conversas e leituras de horas e horas.

      Seja bem vindo ao - capheina.

      Grande abraço.

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  2. Ando lendo sobre física quântica também. E é realmente curioso notar como a religião e a ciência explicam o universo da mesma forma, sendo que cada área usa os seus termos específicos. E sim, é a Mente a fonte de tudo (e do nada). Tanto, que, segundo a história da filosofia, é justamente a partir do momento que o homem toma consciência da morte, que ele passar a adquirir uma maior consciência sobre si, em relação ao mundo e em relação a si mesmo. Ótimo texto, Luís! Você sabe que eu adoro esses assuntos.

    Bjos!

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    1. - que bom que gostou, Larissa.
      Você me deve algumas conversas a respeito desses assuntos, hein.

      :D

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  3. Nossa, não entendo nada de nada de física quântica e por aí vai. Sei que vivemos nessa crise existencial e que auto questionar-se é algo que nos inquieta, posto que não é possível chegar a respostas claras e satisfatórias.. só a abstrações.

    Um Beijo!

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  4. - querida, Lu, boa noite.
    as abstrações e a intuição são mais importantes do que qualquer ciência, na minha humilde opinião.

    quanto as respostas claras e satisfatórias, estas, acredito eu, estão em nossa alma.

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