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domingo, 26 de julho de 2015

- aqui e agora

É difícil explicar para as pessoas o que sinto quando me dou conta de que estou vivo, de que existo, de que participo do Agora. E que minha percepção de realidade está além dos fluídos que circulam e circundam por entre as fibras e vísceras da carne e dos ossos desse corpo efêmero. Percebo-me, tendo a consciência plena de que respiro, de que meus sentimentos e atitudes sobre o breve instante que se desdobra e se esvai, segundo a segundo, moldando e transformando a experiência de ser em mim.
A todo instante, escrevo minha história através das experiências que crio e recrio – sejam elas mentais ou corporais. Tenho dúvidas reais e persecutórias sobre a existência do outro, pois nesses breves instantes de consciência plena, sinto que sou e não que estou. Observo-me de dentro dos meus olhos, consciente de que não estou dentro de mim. Estar me parece inconstante e transitório.
Sei que, mesmo quando sou coadjuvante, sou o protagonista de mim mesmo: o único responsável pelo que sou neste instante e pelo que serei e me recordarei no alento derradeiro dos meus dias. Em todo caso, o passado e o futuro não importam. Não se pode medir com os olhos e a mente de agora aquilo que pertenceu aos olhos e a mente de ontem. Assim como não se pode medir com os olhos e a mente de agora aquilo que pertence ao amanhã. As palavras morrem a partir do momento em que terminamos de dizê-las. E ao dizê-las novamente, não são as mesmas, pois não somos o mesmo hoje daquilo que fomos ontem. Não seremos amanhã o que somos hoje.
Estancar o que sou na ilusão do tempo – seja este tempo passado ou futuro – é morrer. Achamos que a morte é aquela que destrói o corpo físico... Mas na verdade morremos sempre que nos esquecemos de que o tempo é um sentimento, e todo sentimento é expressão do íntimo. Portanto, não conhecer a si mesmo é não sentir; é não atuar sobre o tempo, é morrer.
Quando dizemos “não tenho tempo”...  o que queremos dizer com isso? Será que verdadeiramente estamos aqui e agora? Quantas vezes olhamos ao redor e realmente vemos, escutamos, cheiramos, tateamos ou saboreamos?
Quando não temos tempo, ignoramos os sentidos, e consequentemente, ignoramos o pensamento. O pensamento, neste mundo material, é ação. Ao pensar, criamos. “Mas será que a maioria das ideias e sugestões que transcorrem em nossa mente ao longo do dia foram ‘criadas’ por nós mesmos? Vieram de dentro pra fora? Ou reflito a ideia de outro(s)?”.
Me parece que na maioria do tempo, estamos refletindo. Sendo condicionados a participar de ideias que não somos. “Mas por que aceitamos isto? E como aceitamos isso se nem mesmo nos damos conta?” Lembremos que ser coadjuvantes também implica em ser protagonista – ao menos de nós mesmos. Lembremos também que não ter tempo é sinônimo de não sentir. E na maior parte do tempo, quando inseridos em nosso cotidiano, substituímos nossos pensamentos e nossas ideias por notícias de jornais, por uma música da moda, um serviço, uma filosofia, um acessório... enfim, coisas que foram criadas por outros e processamos isso dentro de nós mesmos.
Será que realmente precisamos disso tudo?
Será que o criador desses jornais, músicas, serviços, filosofias, acessórios... enfim... Será que eles também precisam de tudo isso?

Será que precisamos de fato pensar para estar aqui e Agora?